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Alfredo Margarido: a adesão pública de Fernando Pessoa aos ideários ditatorial e colonialista

“[...] O primeiro [problema] diz respeito aos lugares de publicação escolhidos pelo poeta: na maior parte das vezes – ia escrever sempre...


“[...] O primeiro [problema] diz respeito aos lugares de publicação escolhidos pelo poeta: na maior parte das vezes – ia escrever sempre, mas seria excessivo dizê-lo desta maneira sem provas complementares – em publicações da direita, frequentemente monárquicas, e, a partir de 1930, ligadas à defesa dos interesses e valores da ditadura.
Este facto condena naturalmente alguns argumentos apressados, que quiseram fazer de Fernando Pessoa um adversário da ditadura, e até em alguns casos um perfeito ‘democrata’* [6]. Não se podem avançar argumentos, neste campo particular, sem levar em linha de conta esta lógica de colaborações, que constitui não só uma prova de simpatia, mas algumas vezes uma afirmação de adesão pública.

[...] A segunda, reside no facto de provar que Fernando Pessoa não era indiferente ao ‘império colonial português’, como frequentemente se tem querido deduzir a partir de uma declaração um pouco ambígua, feita numa entrevista concedida a Augusto da Costa ** [7]. O carácter da revista, a sua orientação abertamente colonialista, associada ao facto de se tratar de uma publicação oficiosa, confirmam a importância desta adesão de Fernando Pessoa às teses colonialistas correntes no espaço português de então.”

* [Nota 6 do autor] Duas claras passagens claras a respeito da não-democracia de Fernando Pessoa ‘Pasmo hoje, com vergonha inútil (e por isso injusta) de quando admirei a democracia e nela cri, que quando julguei que valia a pena fazer um esforço para bem da entidade inexistente chamada o ‘povo’, etc.’ Carta a João Gaspar Gomes, de 11 de Dezembro de 1931, Obras em Prosa, Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 1976 (2.ª edição), p. 674. Não será possível, nesta nota, pôr em evidência o que aproxima Fernando Pessoa das ideias e das práticas das extremas-direitas europeias neste período da história. Ficará para outra ocasião.

MARGARIDO, Alfredo, “Um poema desconhecido”, in Revista Colóquio/Letras , n.º 85 (Mar. 1985), p. 36-44. [texto integral aqui]

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Alfredo Margarido: a adesão pública de Fernando Pessoa aos ideários ditatorial e colonialista
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