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O “sebastianismo racional” de Fernando Pessoa não é um paradoxo mas antes um cinismo pragmático.

"[...] como conciliou Pessoa o racionalismo livre-pensador da sua formação com a inclinação para as inúmeras doutrinas e práticas ocu...


"[...] como conciliou Pessoa o racionalismo livre-pensador da sua formação com a inclinação para as inúmeras doutrinas e práticas ocultistas que cultivou ou pelas quais se interessou? Uma tentação seria a de responder, simplesmente que Pessoa, com as suas personalidades múltiplas, era contraditório, paradoxal, que conviviam nele sem problema estas e outras antinomias.
Por exemplo, quando Pessoa, em 1935, se confessava (a Adolfo Casais Monteiro) ‘sebastianista racional’, ou quando inventou a fórmula presidente-rei, ou quando se dizia monárquico adepto de uma monarquia não hereditária, etc., estaria a ser contraditório e paradoxal, o que o tornaria politica e filosoficamente inclassificável, ou não situável no domínio referencial, como sustentou José Augusto Seabra (1977).
Na minha opinião, [...] nenhuma das referidas fórmulas inventadas por Pessoa era contraditória ou paradoxal (como queria J. A. Seabra), senão na aparência. Eram figuras de estilo, fórmulas provocatórias, sim, mas com um sentido lógico muito preciso, para cujo esclarecimento Pessoa fornecia sempre os elementos suficientes. Para a compreensão do que fosse, por exemplo, um ‘sebastianismo racional’ é preciso ler o que Pessoa afirmou em 1926 a um jornal de Lisboa sobre a criação de um grande mito nacional, ainda que baseado numa mentira, como meio prático de ‘levantar a moral de uma nação’. Se o mito ou sonho sebastianista assim criado fosse transformado com êxito num imaginário activo, numa atmosfera mobilizadora das vontades e das inteligências da nação, a mentira estaria transformada em ‘verdade’. É apenas isto o ‘sebastianismo racional’ de Pessoa, completamente livre de contradição lógica, pois constrói mitos para o povo porque conhece o efeito de atracção que os factores irracionais exercem sobre a plebe, que, alegadamente, os prefere à verdade."
- BARRETO, José, “Fernando Pessoa racionalista, livre-pensador e individualista: a influência liberal inglesa”, in A Arca de Pessoa (org. Steffen Dix e Jerónimo Pizarro), Lisboa, ICS, 2007, p. 119-120.

Na imagem: Fernando Pessoa interpretado por Rui Mário no filme “Poesia de Segunda Categoria”
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O “sebastianismo racional” de Fernando Pessoa não é um paradoxo mas antes um cinismo pragmático.
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