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Em 1933 "Presença" critica fortemente os Prémios Literários do SPN

"Não será de estranhar, pois, que a Presença publicasse, em Dezembro de 1933, um artigo intitulado “Uma Iniciativa Cultural”, no qual os Prémios Literários do SPN são fortemente criticados. Nele se afirma que o evento seria “por todos os títulos louvável”, “num país de insignificante mercado do livro”, se ‘os seus possíveis bons resultados não estivessem seriamente comprometidos pelo critério adoptado’, porquanto não se pode ‘reduzir o artista a servidor de qualquer doutrina ou seita’. Interrogava-se ainda acerca de “qual a medida a adoptar ao pretender aferir-se a ‘intenção amplamente construtiva’ do romance e a ‘inspiração bem portuguesa’ dos versos?

[...] Depois, como conciliar a tendência corporativa e anti-individualista do Estado com o feroz individualismo que é a característica essencial do romance?” O articulista (A. N.) fundamentava, inclusivamente, os seus pontos de vista na transcrição de tomadas de posição na imprensa do próprio António Ferro que, anos antes de tomar posse do cargo de director do SPN, teria afirmado que “Uma literatura condicionada, restrita, com etiquetas, enfileirada em pelotões de continência, é uma literatura pobre, acanhada e antinacionalista, mesmo quando se diz nacionalista. [...] Arte e liberdade são palavras sinónimas.”

PINTO, Rui Pedro, Prémios do Espírito. Um Estudo sobre Prémios Literários do Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo, Lisboa, ICS, 2008, p. 76.

Na imagem: Oliveira Salazar discursando na posse de António Ferro do Secretariado da Propaganda Nacional.

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Uma análise de um poema da Mensagem

Entre os estudos mais interessantes (e importantes) recentemente publicados sobre a Mensagem de Fernando Pessoa, encontra-se o livro de Nuno Hipólito que leva o sugestivo título de “As Mensagens da Mensagem”, publicado originalmente em 2007. 
Tal como o autor explica no seu blog Um Fernando Pessoa, em razão do livro se encontrar actualmente esgotado nas livrarias, Hipólito decidiu disponibilizá-lo online, em PDF gratuito, numa versão actualizada.

A critica literária de Fernando Pessoa sobre a “Romaria”: elogio ou ironia?

A opinião de Fernando Pessoa sobre a obra e a figura de Vasco Reis não é pacífica. O autor da Mensagem escreveu mesmo sobre A Romaria, livro que tinha ficado à frente daquele no concurso do SPN de 1934. Mas enquanto que no website "Um Fernando Pessoa" se refere que esta “crítica, honesta e subtil, parece prova evidente de que [Pessoa] não guardara rancores do prémio que lhe fora a ele mesmo concedido”, já José Blanco, num ensaio intitulado “A verdade sobre a Mensagem” aponta para o sentido oposto:

O lendário “não-encontro” entre Cecília Meireles e Fernando Pessoa numa noite lisboeta de 1934

“Fato é que Cecília quis conhecer Pessoa e um encontro foi marcado, provavelmente no café A Brasileira, no Chiado. Pessoa não apareceu. Após duas horas de espera, o marido achou melhor desistir. No livro Cecília em Portugal, Leila Gouvêa imagina o seguinte diálogo entre o casal:
Vamos, Cecília, ele não virá! – Podemos aguardar um pouco mais, quem sabe ocorreu um imprevisto... – Não, é perda de tempo. Eu o conheço bem. Se não veio até agora, não vem mais.[…] Muito já se especulou sobre as razões de Pessoa. Prosperou a versão pouco fiável de que a principal delas era de ordem transcendental: os astros o teriam dissuadido de comparecer ao encontro. Heitor Grilo, o segundo marido de Cecília, teria difundido essa história depois da morte dela em 1964. A própria Cecília não contribuiu muito para esclarecer o episódio. Apenas, numa carta a Armando Cortes Rodrigues, escreveu em 1944: ‘Como lamento não o ter conhecido!’ E, mais tarde, numa crônica, dirigiu-se ao próprio Pessoa nestes termos: ‘M…