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A “Mensagem”, segundo Octávio Paz, é mais do que um poema patriótico

“A Mensagem, à primeira vista, é como um hino às glórias de Portugal e uma profecia de um novo império (o Quinto), que não será material mas espiritual (...) O livro é uma galeria de personagens históricas e lendárias, deslocadas da sua realidade tradicional e transformadas em alegorias de outra tradição e outra realidade. Talvez sem plena consciência do que fazia, Pessoa volatiliza a História de Portugal e, em seu lugar, apresenta outra, puramente espiritual, que é a sua negação. O carácter esotérico da Mensagem proíbe-nos lê-la como um simples poema patriótico, como desejariam alguns críticos oficiais. Há que acrescentar que o seu simbolismo a não redime. Para que os símbolos o sejam efectivamente é necessário que deixem de simbolizar, que se tornem sensíveis, criaturas vivas, e não emblemas de museu.”

PAZ, Octavio, in Fernando Pessoa, o Desconhecido de Si Mesmo (edição original: “El deconocido de si mismo”, in Los Signos en Rotación e Otros Ensayos, Madrid, ed. Alianza Editorial, 1971).

Na imagem: Octávio Paz

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Uma análise de um poema da Mensagem

Entre os estudos mais interessantes (e importantes) recentemente publicados sobre a Mensagem de Fernando Pessoa, encontra-se o livro de Nuno Hipólito que leva o sugestivo título de “As Mensagens da Mensagem”, publicado originalmente em 2007. 
Tal como o autor explica no seu blog Um Fernando Pessoa, em razão do livro se encontrar actualmente esgotado nas livrarias, Hipólito decidiu disponibilizá-lo online, em PDF gratuito, numa versão actualizada.

A critica literária de Fernando Pessoa sobre a “Romaria”: elogio ou ironia?

A opinião de Fernando Pessoa sobre a obra e a figura de Vasco Reis não é pacífica. O autor da Mensagem escreveu mesmo sobre A Romaria, livro que tinha ficado à frente daquele no concurso do SPN de 1934. Mas enquanto que no website "Um Fernando Pessoa" se refere que esta “crítica, honesta e subtil, parece prova evidente de que [Pessoa] não guardara rancores do prémio que lhe fora a ele mesmo concedido”, já José Blanco, num ensaio intitulado “A verdade sobre a Mensagem” aponta para o sentido oposto:

O “sebastianismo racional” de Fernando Pessoa não é um paradoxo mas antes um cinismo pragmático.

"[...] como conciliou Pessoa o racionalismo livre-pensador da sua formação com a inclinação para as inúmeras doutrinas e práticas ocultistas que cultivou ou pelas quais se interessou? Uma tentação seria a de responder, simplesmente que Pessoa, com as suas personalidades múltiplas, era contraditório, paradoxal, que conviviam nele sem problema estas e outras antinomias.