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O posicionamento politico e ideológico de Cecília Meireles


“Diante da tragédia [o suicídio do seu marido, Fernando Correia Dias], os laços com os amigos portugueses estreitam-se ainda mais. Forma-se além-mar como um cerco de solidariedade. Era ‘como se fôssemos realmente toda uma família meio dispersa que o perigo reúne’, ela diria. Fernanda de Castro [esposa de António Ferro] escreve-lhe ‘muito aflita’, propondo publicar um livro seu em Portugal. José Osório menciona a possibilidade de ela dar aulas em Lisboa – convite que acabaria nunca aceitando, por discordar da tirania do regime salazarista.

[...] Com o advento da ditadura do Estado Novo (1937-45), a poeta sofre outro revês. A politica de Getúlio Vargas faz uma devassa no Centro de Cultura Infantil do Pavilhão Mourisco, inaugurado em 1934 por ela e Fernando, sob a suspeita de abrigar livros comunistas. Uma dupla violência para quem, embora progressista e democrata, sempre fora céptica demais para aderir a um partido politico, excessivamente espiritualista para deixar-se atrair pelo marxismo. A repressão getulista apreende livros (inclusive o ‘subversivo’ As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain), quebra objectos, entre os quais algumas das cerâmicas de inspiração marajoara criadas por Fernando Correia Dias.”

Leila V. B. Gouvêa, Cecília Em Portugal, Editora Iluminuras, 2001, pp. 79-80.

Na imagem: Cecília Meireles

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Entre os estudos mais interessantes (e importantes) recentemente publicados sobre a Mensagem de Fernando Pessoa, encontra-se o livro de Nuno Hipólito que leva o sugestivo título de “As Mensagens da Mensagem”, publicado originalmente em 2007. 
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Vamos, Cecília, ele não virá! – Podemos aguardar um pouco mais, quem sabe ocorreu um imprevisto... – Não, é perda de tempo. Eu o conheço bem. Se não veio até agora, não vem mais.[…] Muito já se especulou sobre as razões de Pessoa. Prosperou a versão pouco fiável de que a principal delas era de ordem transcendental: os astros o teriam dissuadido de comparecer ao encontro. Heitor Grilo, o segundo marido de Cecília, teria difundido essa história depois da morte dela em 1964. A própria Cecília não contribuiu muito para esclarecer o episódio. Apenas, numa carta a Armando Cortes Rodrigues, escreveu em 1944: ‘Como lamento não o ter conhecido!’ E, mais tarde, numa crônica, dirigiu-se ao próprio Pessoa nestes termos: ‘M…