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“Poesia de Segunda Categoria”: os efeitos da redacção pouco feliz da acta dos Prémios Literários do SPN

"É forçoso reconhecer que a redacção da acta não é feliz: salientando o prémio da primeira categoria (5.000 escudos para a obra de Vasco Reis), refere o prémio atribuído a Pessoa como'um prémio de segunda categoria' – em vez de dizer, nos termos regulamentares, 'o prémio da segunda categoria', destinado a 'Poema ou poesia solta'.


A confusão pioneira de João Gaspar Simões talvez tenha começado aqui e é muito provável que tenha também contribuído para o comentário sarcástico da escritora Alice Ogando na sua recensão crítica da Mensagem, desde logo publicada no jornal O Diabo em 27 de Janeiro de 1935: 'Esta obra obteve um segundo prémio no concurso da Propaganda. Apre! Muito bom deve ser o primeiro premiado para uma obra como esta poder ficar em segundo lugar!'.

José Blanco, “A verdade da mensagem

Na imagem: João Gaspar Simões

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Uma análise de um poema da Mensagem

Entre os estudos mais interessantes (e importantes) recentemente publicados sobre a Mensagem de Fernando Pessoa, encontra-se o livro de Nuno Hipólito que leva o sugestivo título de “As Mensagens da Mensagem”, publicado originalmente em 2007. 
Tal como o autor explica no seu blog Um Fernando Pessoa, em razão do livro se encontrar actualmente esgotado nas livrarias, Hipólito decidiu disponibilizá-lo online, em PDF gratuito, numa versão actualizada.

A critica literária de Fernando Pessoa sobre a “Romaria”: elogio ou ironia?

A opinião de Fernando Pessoa sobre a obra e a figura de Vasco Reis não é pacífica. O autor da Mensagem escreveu mesmo sobre A Romaria, livro que tinha ficado à frente daquele no concurso do SPN de 1934. Mas enquanto que no website "Um Fernando Pessoa" se refere que esta “crítica, honesta e subtil, parece prova evidente de que [Pessoa] não guardara rancores do prémio que lhe fora a ele mesmo concedido”, já José Blanco, num ensaio intitulado “A verdade sobre a Mensagem” aponta para o sentido oposto:

O lendário “não-encontro” entre Cecília Meireles e Fernando Pessoa numa noite lisboeta de 1934

“Fato é que Cecília quis conhecer Pessoa e um encontro foi marcado, provavelmente no café A Brasileira, no Chiado. Pessoa não apareceu. Após duas horas de espera, o marido achou melhor desistir. No livro Cecília em Portugal, Leila Gouvêa imagina o seguinte diálogo entre o casal:
Vamos, Cecília, ele não virá! – Podemos aguardar um pouco mais, quem sabe ocorreu um imprevisto... – Não, é perda de tempo. Eu o conheço bem. Se não veio até agora, não vem mais.[…] Muito já se especulou sobre as razões de Pessoa. Prosperou a versão pouco fiável de que a principal delas era de ordem transcendental: os astros o teriam dissuadido de comparecer ao encontro. Heitor Grilo, o segundo marido de Cecília, teria difundido essa história depois da morte dela em 1964. A própria Cecília não contribuiu muito para esclarecer o episódio. Apenas, numa carta a Armando Cortes Rodrigues, escreveu em 1944: ‘Como lamento não o ter conhecido!’ E, mais tarde, numa crônica, dirigiu-se ao próprio Pessoa nestes termos: ‘M…