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Vozes do além - Sexo e dinheiro na escrita automática de Fernando Pessoa

São numerosos os escritos automáticos em que Fernando Pessoa aborda o tema do sexo e do dinheiro, através de comunicação mediúnica com os espíritos. Dois breves exemplos:

"Sim, certíssimo. O dinheiro virá mesmo. Não precisas de tentar adivinhar de onde ele virá. As duas coisas ao mesmo tempo. Não há muitas que o sejam, mas algumas são, especialmente quando muito jovens. Ela é. Sim: imediatamente - assim que puseres os olhos nela. Tão claramente ela é a mulher que não sabes que procuras e que todavia procuras. Não são muitas as mulheres que te atraem, mas ela far-te-á tremer e desviar os olhos ao mesmo tempo. Ela é muito magnética - é um homem na sua forte capacidade de comando. Bastante. Ela não é feia, é bonita. É uma rapariga ágil, magra, mas com um busto desenvolvido. Espera pelos lábios dela. Vão pôr-te louco. Ela é o vinho que tu precisas de beber. " (texto sem data)

"Tu enojas-me! Pões-me doida! Em breve verás a minha inimizade. És um homem que casa consigo próprio. Homem que faz muitas masturbações. Jura que me fazes um filho!
Monsieur Mansel. Marnoco e Sousa. Henry More. Wardour. Não me faças perguntas" (texto sem data)

PESSOA, Fernando, in ZENITH, Richard (ed.), traduções de Manuela Rocha, Obra Essencial de Fernando Pessoa. Prosa íntima e de autoconhecimento, Círculo de Leitores, 2007, pág. 277

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Uma análise de um poema da Mensagem

Entre os estudos mais interessantes (e importantes) recentemente publicados sobre a Mensagem de Fernando Pessoa, encontra-se o livro de Nuno Hipólito que leva o sugestivo título de “As Mensagens da Mensagem”, publicado originalmente em 2007. 
Tal como o autor explica no seu blog Um Fernando Pessoa, em razão do livro se encontrar actualmente esgotado nas livrarias, Hipólito decidiu disponibilizá-lo online, em PDF gratuito, numa versão actualizada.

A critica literária de Fernando Pessoa sobre a “Romaria”: elogio ou ironia?

A opinião de Fernando Pessoa sobre a obra e a figura de Vasco Reis não é pacífica. O autor da Mensagem escreveu mesmo sobre A Romaria, livro que tinha ficado à frente daquele no concurso do SPN de 1934. Mas enquanto que no website "Um Fernando Pessoa" se refere que esta “crítica, honesta e subtil, parece prova evidente de que [Pessoa] não guardara rancores do prémio que lhe fora a ele mesmo concedido”, já José Blanco, num ensaio intitulado “A verdade sobre a Mensagem” aponta para o sentido oposto:

O lendário “não-encontro” entre Cecília Meireles e Fernando Pessoa numa noite lisboeta de 1934

“Fato é que Cecília quis conhecer Pessoa e um encontro foi marcado, provavelmente no café A Brasileira, no Chiado. Pessoa não apareceu. Após duas horas de espera, o marido achou melhor desistir. No livro Cecília em Portugal, Leila Gouvêa imagina o seguinte diálogo entre o casal:
Vamos, Cecília, ele não virá! – Podemos aguardar um pouco mais, quem sabe ocorreu um imprevisto... – Não, é perda de tempo. Eu o conheço bem. Se não veio até agora, não vem mais.[…] Muito já se especulou sobre as razões de Pessoa. Prosperou a versão pouco fiável de que a principal delas era de ordem transcendental: os astros o teriam dissuadido de comparecer ao encontro. Heitor Grilo, o segundo marido de Cecília, teria difundido essa história depois da morte dela em 1964. A própria Cecília não contribuiu muito para esclarecer o episódio. Apenas, numa carta a Armando Cortes Rodrigues, escreveu em 1944: ‘Como lamento não o ter conhecido!’ E, mais tarde, numa crônica, dirigiu-se ao próprio Pessoa nestes termos: ‘M…