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Among so many heteronyms, why just Álvaro de Campos?


Fernando Pessoa (1888-1935), describing his literary enterprise as “a drama divided into people instead of into acts”, split himself into dozens of dramatis personae, the “heteronyms”, who occupied the stage of his otherwise uneventful life. It was a process that began in Pessoa’s childhood, gathered steam in his adolescence with the invention of alter egos who wrote in English, and made literary history in 1914, with the creation of would-be shepherd Alberto Caeiro, Futurist naval engineer Álvaro de Campos, and classicist Ricardo Reis, three of the finest Portuguese poets of the twentieth century.

Álvaro de Campos was supposedly born in Portugal’s Algarve region in 1890, studied engineering in Glasgow, traveled to the Orient, lived for a few years in England, where he courted both young men and women, and finally returned to Portugal, settling down in Lisbon. A decadent and a dandy, Campos billed himself a ‘sensationist’ poet, and his long early poems – partly influenced by Walt Whitman – celebrated machines and the modern age with loud exuberance. This attitude gradually gave way to a nagging existential anguish that found expression in shorter poems colored by melancholy, but his motto was still and always “Feel everything in every way”. The largest and most playful of the heteronyms, he even meddled in Pessoa’s real-world life. In addition to taking public stands – in interviews or letters to the editor – against statements made by his progenitor in magazine articles, he would occasionally turn up in lieu of Pessoa at appointments, to the chagrin and ire of those friends who were not amused by such antics.
[Fernando Pessoa (1888-1935), descrevendo a sua empresa literária como "um drama dividido em pessoas em vez de actos", dividiu-se em dezenas de dramatis personae, os "heterónimos", que animaram o palco da sua monótona vida. Foi um processo que começou na infância de Pessoa, ganhou força na sua adolescência com a invenção de alter-egos que escreveram em Inglês, e entrou para a história da literatura em 1914, com a criação do pretenso pastor Alberto Caeiro, do futurista engenheiro naval Álvaro de Campos e do clássico Ricardo Reis, três dos melhores poetas portugueses do século XX.
Álvaro de Campos nasceu supostamente no Algarve, em Portugal, no ano de 1890, estudou engenharia em Glasgow, viajou para o Oriente, viveu alguns anos na Inglaterra, onde cortejou tanto mulheres como rapazes, e, finalmente, voltou para Portugal, estabelecendo-se em Lisboa. Decadente e dândi, Campos considera-se um poeta ‘sensacionalista', e os seus primeiros longos poemas – em parte influenciados por Walt Whitman – celebram as máquinas e a era moderna com uma estridente exuberância. Esta atitude gradualmente deu lugar a uma irritante angústia existencial que encontrou expressão em poemas curtos tangidos pela melancolia, mas o seu lema era ainda e sempre "sentir tudo de todas as maneiras". O maior e mais brincalhão dos heterónimos ainda se intrometeu na vida real de Pessoa. Além de tomar posições públicas – em entrevistas ou cartas dirigidas ao editor – contra declarações feitas pelo seu progenitor em artigos de revistas, ocasionalmente apareceu no lugar de Pessoa em nomeações, para desgosto e ira daqueles amigos que não acharam piada a tais artimanhas.]
ZENITH, Richard, Pessoa’s Heteronyms(Julho de 2006). [tradução livre para o português]
Na imagem: Álvaro de Campos (interpretado por André Gago) e Fernando Pessoa (interpretado por Rui Mário) no filme "Poesia de Segunda Categoria". Pictured: Álvaro de Campos (by André Gago) and Fernando Pessoa (by Rui Mário) in the short-film "Second Rate Poetry".

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