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Os discursos de Salazar e de António Ferro no filme “Poesia de Segunda Categoria”


Na sessão de entrega dos Prémios Literários 1934 do SPN, que teve lugar no ano seguinte, em 21 de Fevereiro, tanto Salazar como António Ferro proferem discursos históricos, que são publicados pela imprensa da época, e, mais tarde, em 1949, compilados no volume Prémios Literários (1934-1947), editado pelo Secretariado Nacional de Informação (designação que o SPN toma após 1945). Algumas passagens destes discursos integram (de modo fiel às fontes documentais consultadas: Diário da Manhã, 22-2-1935) os diálogos do argumento do filme “Poesia de Segunda Categoria”.



Tal como pode ser consultado noutro post deste blog, enquanto Salazar falava da necessidade de impor “certas limitações” e “directrizes” aos escritores (encarando a possibilidade de até se “escrever menos” para se “escrever” e se “ler melhor”); António Ferro, depois de considerar o Presidente do Conselho como “um dos maiores escritores portugueses da nossa língua em todos os tempos”, declara que, com aquela “festa”, se quis “declarar guerra publicamente aos déspotas da liberdade do pensamento, aos ‘intelectuais livres’”.
Na imagem: António Ferro discursando, interpretado por João Didelet. Cena do filme "Poesia de Segunda Categoria"

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Uma análise de um poema da Mensagem

Entre os estudos mais interessantes (e importantes) recentemente publicados sobre a Mensagem de Fernando Pessoa, encontra-se o livro de Nuno Hipólito que leva o sugestivo título de “As Mensagens da Mensagem”, publicado originalmente em 2007. 
Tal como o autor explica no seu blog Um Fernando Pessoa, em razão do livro se encontrar actualmente esgotado nas livrarias, Hipólito decidiu disponibilizá-lo online, em PDF gratuito, numa versão actualizada.

A critica literária de Fernando Pessoa sobre a “Romaria”: elogio ou ironia?

A opinião de Fernando Pessoa sobre a obra e a figura de Vasco Reis não é pacífica. O autor da Mensagem escreveu mesmo sobre A Romaria, livro que tinha ficado à frente daquele no concurso do SPN de 1934. Mas enquanto que no website "Um Fernando Pessoa" se refere que esta “crítica, honesta e subtil, parece prova evidente de que [Pessoa] não guardara rancores do prémio que lhe fora a ele mesmo concedido”, já José Blanco, num ensaio intitulado “A verdade sobre a Mensagem” aponta para o sentido oposto:

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Vamos, Cecília, ele não virá! – Podemos aguardar um pouco mais, quem sabe ocorreu um imprevisto... – Não, é perda de tempo. Eu o conheço bem. Se não veio até agora, não vem mais.[…] Muito já se especulou sobre as razões de Pessoa. Prosperou a versão pouco fiável de que a principal delas era de ordem transcendental: os astros o teriam dissuadido de comparecer ao encontro. Heitor Grilo, o segundo marido de Cecília, teria difundido essa história depois da morte dela em 1964. A própria Cecília não contribuiu muito para esclarecer o episódio. Apenas, numa carta a Armando Cortes Rodrigues, escreveu em 1944: ‘Como lamento não o ter conhecido!’ E, mais tarde, numa crônica, dirigiu-se ao próprio Pessoa nestes termos: ‘M…